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FATORES DE SUCESSO PARA UMA INSTALAÇÃO AGRIVOLTAICA

Identificação dos fatores técnicos, agrícolas, ambientais e organizacionais que influenciam o bom desempenho e a viabilidade de uma instalação agrivoltaica.

Ferramenta #02

Dica AGROVOLTEP:

Valorize os produtos agrícolas de sistemas agrivoltaicos destacando a sua sustentabilidade.

Dica AGROVOLTEP:

Em locais onde o custo do solo é baixo, pode ser vantajoso sacrificar a eficiência fotovoltaica para ganhar qualidade agrícola.

Dica AGROVOLTEP:

Sempre que possível, aposte em espécies nativas de crescimento perene, que promovem biodiversidade, exigem menos manutenção e reforçam a sustentabilidade ecológica do seu projeto.

#01 Fatores Ambientais

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Os fatores ambientais são determinantes para o sucesso de qualquer projeto agrivoltaico, pois influenciam tanto o crescimento das culturas agrícolas como o rendimento energético dos painéis solares.

A instalação de módulos fotovoltaicos altera a forma como a luz solar incide sobre o solo, criando novos padrões de luz e sombra. Essa alteração pode limitar o desenvolvimento de certas plantas sensíveis à redução de luminosidade, mas também favorecer espécies que prosperam sob sombra parcial, como o café cultivado sob dossel.

Um dos aspetos mais relevantes é a radiação fotossinteticamente ativa (PAR), a fração do espectro solar que as plantas utilizam para a fotossíntese. Não é apenas a quantidade total de luz que conta, mas também a sua distribuição ao longo do dia e das estações do ano, que influencia diretamente o ritmo de crescimento e a produtividade das culturas.

Além da luz, outros fatores microclimáticos (como a temperatura, a humidade relativa e a velocidade do vento) desempenham papéis igualmente importantes. Os sistemas agrivoltaicos, por exemplo, podem reduzir temperaturas extremas e criar microclimas mais estáveis, permitindo o cultivo em regiões anteriormente demasiado quentes. No entanto, o equilíbrio é fundamental: níveis insuficientes de luz ou calor podem comprometer o crescimento vegetal, enquanto ventos fortes podem limitar o tipo de estruturas solares instaladas ou exigir reforços específicos.

#02 Qualidade e Compactação do Solo

A qualidade do solo é a base de qualquer projeto agrivoltaico bem-sucedido. Este fator é influenciado tanto pelas condições naturais do terreno como pelos usos anteriores e pelos impactos da construção das estruturas fotovoltaicas, nomeadamente a compactação e a degradação da camada superficial.

Mesmo em solos agrícolas já cultivados, o processo de instalação de um sistema solar pode afetar negativamente a estrutura e a fertilidade do solo, reduzindo a infiltração de água, a disponibilidade de nutrientes e a capacidade de regeneração da vegetação.

Para mitigar estes efeitos, é essencial aplicar técnicas de descompactação após a construção e, sempre que possível, adaptar o design do sistema à topografia existente, evitando movimentos de terra excessivos e riscos de erosão.

O tipo de solo também influencia decisões de engenharia, como a profundidade das fundações e o espaçamento entre suportes, especialmente em locais expostos a ventos fortes.

Estudos demonstram que os impactos no solo podem persistir durante vários anos e que terrenos empobrecidos ou sujeitos a uso intensivo de pesticidas demoram mais a recuperar. Por isso, a avaliação prévia e detalhada do solo é indispensável antes da implementação do projeto.

#03 Utilizações Prévias e Adjacentes do Solo

 

As utilizações anteriores e os usos circundantes do solo têm um impacto direto na saúde ecológica e na integração ambiental de um projeto agrivoltaico. Terrenos anteriormente dedicados à agricultura intensiva, à pastorícia, à silvicultura ou à indústria apresentam condições muito distintas em termos de fertilidade, biodiversidade e presença de contaminantes.

Resíduos de pesticidas ou herbicidas, por exemplo, podem afetar o crescimento de novas plantas, a presença de fauna ou até a segurança alimentar associada às culturas instaladas. Infraestruturas subterrâneas existentes, como sistemas de drenagem ou condutas antigas, também devem ser identificadas, pois podem alterar a hidrologia e a estabilidade do terreno.

Os usos adjacentes (campos agrícolas, zonas florestais, áreas urbanas ou industriais) influenciam a dinâmica ecológica local, afetando fatores como a dispersão de sementes, o movimento da fauna, a qualidade da água e até o nível de poeiras que se depositam nos painéis solares.

Estas interações podem ser tanto benéficas como prejudiciais. Por exemplo, atividades agrícolas vizinhas podem favorecer a presença de polinizadores, mas também aumentar a sujidade dos módulos devido à libertação de partículas e pólen.

Importa ainda considerar que as utilizações do solo vizinho podem mudar ao longo do tempo, alterando a disponibilidade de habitats e os riscos associados ao projeto. Tais alterações podem condicionar a eficácia de iniciativas ambientais, como programas de promoção de polinizadores, cuja utilidade depende da continuidade de culturas compatíveis nas imediações.

#04 Disponibilidade e Acesso à Água

A água é um recurso vital para a agricultura, sendo também essencial para o sucesso de qualquer sistema agrivoltaico, pois é determinante para o estabelecimento da vegetação e para o bem-estar dos animais.

A disponibilidade, o acesso legal e a criação de infraestruturas de armazenamento e distribuição são fundamentais para a viabilidade do projeto, especialmente em regiões áridas. Sistemas de irrigação adaptados às necessidades das culturas, bem como soluções de captação e redistribuição de água da chuva ou da limpeza dos painéis, ajudam a garantir fontes fiáveis e sustentáveis ao longo do ano.

A viabilidade de um projeto pode depender da obtenção legal de direitos de uso da água e da criação de infraestruturas adequadas de armazenamento, distribuição e reaproveitamento, aspetos que podem representar custos significativos, especialmente em regiões áridas.

Os sistemas agrivoltaicos podem ainda melhorar a eficiência no uso da água, já que a sombra dos painéis reduz a evapotranspiração e diminui a necessidade de irrigação, beneficiando práticas agrícolas de sequeiro.

Por fim, a energia produzida pelos painéis pode ser aproveitada para alimentar bombas de água, sistemas de tratamento ou irrigação automatizada, reforçando a autossuficiência energética e hídrica da exploração agrícola.

#05 Fatores Relacionados com a Tecnologia e Infraestrutura Utilizada

 

A configuração tecnológica e estrutural de um sistema agrivoltaico define o equilíbrio entre produção agrícola e produção de energia, influenciando a luminosidade disponível, o microclima, as condições do solo e a viabilidade económica do projeto.

Cada decisão tomada na fase de planeamento, desde a altura dos painéis ao espaçamento entre fileiras, é determinante e permanecerá fixa ao longo dos 20 a 30 anos de vida útil do sistema.

Potência Instalada

A potência instalada condiciona a escala, a flexibilidade e o modelo económico do projeto:

  • Pequena escala (<1 MW): maior flexibilidade no design, ideal para autoconsumo e integração com práticas agrícolas diversificadas.

  • Média a grande escala (1–100 MW): exigem licenciamento complexo, maior custo de ligação à rede e menor margem de ajuste estrutural.

  • Muito grande escala (>100 MW): podem alterar a dinâmica ecológica local, por exemplo, na polinização ou migração de fauna.

Além disso, a dimensão do projeto define as práticas agrícolas viáveis, ou seja, sistemas de produção vegetal podem necessitar de espaço para colheita mecanizada, enquanto projetos com pastoreio devem equilibrar o número de animais com a área disponível e os custos logísticos.

Altura dos Módulos Fotovoltaicos

A altura dos painéis é um fator crítico para o sucesso agrícola e operacional:

  • Altura baixa (<1,5 m): limita espécies vegetais e dificulta o acesso.

  • Altura média (1,8–2,4 m): adequada a hortícolas e acesso manual.

  • Altura elevada (>2,4 m): ideal para maquinaria e conforto térmico animal, mas implica custos mais altos de estrutura e manutenção.

Regiões com vento forte, neve ou humidade elevada exigem reforços estruturais.

 

Nos sistemas com pastoreio, a altura deve ser adaptada à espécie: ovelhas requerem menos espaço, enquanto bovinos exigem maior elevação e proteção dos cabos.

Estrutura do Sistema Agrivoltaico

A estrutura de suporte define a compatibilidade entre a geração solar e as atividades agrícolas:

  • Sistemas fixos: menor custo, maior simplicidade, mas menor flexibilidade.

  • Sistemas com seguimento solar: maior produção energética e melhor gestão da luz, permitindo ajustar o ângulo para favorecer o crescimento das plantas.

  • Sistemas elevados: maximizam a integração agrícola, mas aumentam os custos de fundação e manutenção.

A escolha da estrutura deve considerar também a topografia; quanto mais natural o terreno permanecer, menor o impacto sobre o solo e a vegetação.

Espaçamento entre Módulos Fotovoltaicos

O espaçamento entre módulos fotovoltaicos determina a quantidade de luz que atinge as culturas, sendo essencial para manter o crescimento saudável das plantas sem comprometer a produção de energia.

  • Espaçamento curto: maior produção fotovoltaica, mas menor luminosidade disponível para os cultivos.

  • Espaçamento alargado: maior luminosidade para um crescimento vegetal mais equilibrado, maior biodiversidade e melhor ventilação, mas menor produção fotovoltaica.

Distância entre Fileiras

A distância entre fileiras influencia diretamente o tipo de maquinaria e o fluxo de trabalho agrícola. Maior espaçamento permite a passagem de máquinas agrícolas e a redução do sombreamento, bem como o aumento da humidade do solo. No entanto, aumenta o custo por hectare e reduz a densidade energética total.

#06 Módulos Fotovoltaicos

Os módulos fotovoltaicos são o coração do sistema, e a sua tecnologia determina o equilíbrio entre energia e agricultura. Podem ser fabricados com diferentes materiais que variam em densidade e opacidade, influenciando a quantidade de luz disponível para as culturas e a vegetação sob os painéis.

  • Monofaciais: mais comuns, opacos, maior sombreamento.

  • Bifaciais: captam luz refletida pelo solo (maior eficiência em terrenos de alto albedo).

  • Semitransparentes: permitem a passagem seletiva de luz para otimizar a fotossíntese.

  • Filmes finos: flexíveis, leves e adequados para estufas ou superfícies irregulares.

Em suma, o sucesso de um sistema agrivoltaico depende de um equilíbrio dinâmico entre a tecnologia fotovoltaica e a agrícola. Projetos bem estruturados, que considerem a altura, o espaçamento, a potência e o tipo de módulo, permitem criar sistemas produtivos, resilientes e sustentáveis a longo prazo.

#07 Fatores de Cultivo

 

A forma como se escolhem, cultivam e mantêm as espécies vegetais sob os painéis solares define não só a produtividade agrícola, mas também o equilíbrio ecológico e económico do projeto.

A integração bem-sucedida entre energia e agricultura requer um planeamento cuidado da seleção de espécies, dos métodos de sementeira e da gestão da vegetação, adaptados às condições climáticas, do solo e à tecnologia fotovoltaica utilizada.

Seleção de Espécies Vegetais e Cultivares

A escolha das espécies e cultivares é um dos passos mais determinantes para o sucesso de um projeto agrivoltaico. Devem ser considerados fatores como o clima, o tipo de solo, a disponibilidade de água e o regime de sombra, os objetivos do projeto e as preferências e práticas do agricultor.

A rotação de culturas continua a ser uma prática recomendada, especialmente para famílias vegetais com maior impacto no solo. 

A mistura de sementes deve ser cuidadosamente escolhida: nem todas as combinações que prosperam em pleno sol se adaptam bem sob sombra parcial. A experimentação local e o uso de espécies nativas favorecem a estabilidade e a biodiversidade.

#08 Métodos de Sementeira e Desenvolvimento Vegetativo

O estabelecimento e a manutenção da vegetação são determinantes para a estabilidade ecológica e a produtividade agrícola. Os métodos variam conforme o objetivo (produção, pastoreio ou promoção da biodiversidade), mas seguem princípios comuns de adaptação à sombra e ao microclima criado pelos painéis.

Principais práticas:

  • Preparação do terreno: pode incluir descompactação, remoção de vegetação anterior, correções de solo e aplicação de herbicidas seletivos;

  • Sementeira: direta, por difusão ou com semeadoras; em alguns casos, complementada com gradagem leve do solo para garantir o contacto semente–solo;

  • Espécies de cobertura, como centeio ou aveia, podem ser usadas como “espécies pioneiras”, ajudando a estabilizar o solo e a proteger sementes mais delicadas;

  • Irrigação suplementar pode ser necessária, sendo comum a sementeira na primavera ou no outono, de acordo com o regime de chuvas local;

  • Gestão e manutenção: inclui cortes periódicos, controlo de espécies invasoras e uso direcionado de herbicidas e pesticidas.

#09 Mercados Agrícolas e Valorização dos Produtos

A viabilidade de um sistema agrivoltaico depende não só da produção agrícola, mas também da capacidade de comercializar os produtos de forma rentável.

Antes de implementar o projeto, é essencial planear os canais de mercado e as estratégias de valorização, seja para hortícolas, carne, lã ou mel. A escolha adequada das espécies, o respeito pelas boas práticas agrícolas e a integração de critérios ecológicos e estéticos permitem criar um equilíbrio entre produtividade, sustentabilidade ambiental e retorno económico, garantindo a resiliência e o sucesso do sistema agrivoltaico.

#10 Cobertura Vegetal e Planos de Operação e Manutenção (O&M)

 

Uma gestão inteligente da cobertura vegetal é essencial para equilibrar a produção agrícola, o controlo de espécies invasoras e a sustentabilidade ecológica do terreno.

Em muitos projetos agrivoltaicos, são utilizadas diferentes tipologias de vegetação em zonas distintas do campo:

  • Vegetação mais alta nas margens, para proteção e biodiversidade;

  • Vegetação mais baixa sob os painéis, para evitar sombreamento e facilitar o acesso.

Esta diversidade requer planos de manutenção adaptados, com calendários de corte específicos para cada tipo de cobertura vegetal.

Atividades adicionais, como pastoreio, manutenção de equipamentos ou obras de ampliação, devem ser planeadas para evitar períodos críticos, como a floração ou a dispersão de sementes. Perturbações pontuais podem ser toleráveis, mas a repetição constante compromete a regeneração e a diversidade da vegetação.

#11 Equipamentos Auxiliares do Sistema Fotovoltaico

 

Os equipamentos de apoio (cabos, inversores, caixas de ligação, baterias ou contadores) são essenciais à operação elétrica, mas o seu posicionamento pode afetar significativamente as atividades agrícolas.

Boas práticas de integração:

  • Posicionar inversores e caixas elétricas nas extremidades das fileiras, mantendo espaço de manobra para maquinaria.

  • Enterrar a cablagem sempre que possível, evitando obstáculos e riscos para pessoas e animais.

  • Garantir profundidade adequada (ex.: >60 cm) para não interferir com os trabalhos agrícolas.

  • Instalar sinalização visível e barreiras protetoras quando os cabos estão à superfície.

  • Planear vedações com recuo suficiente, permitindo a circulação de tratores e pastores.

#12 Compatibilidade e Flexibilidade em Sistemas Agrivoltaicos

 

O sucesso de uma instalação agrivoltaica depende da integração harmoniosa entre agricultura e energia solar.

O projeto deve ser compatível com as práticas agrícolas, garantindo que maquinaria, irrigação e infraestruturas operem sem comprometer os painéis. Aspetos-chave incluem a altura e o espaçamento dos módulos, a proteção de tubagens e bombas, a fixação de cercas e sensores, e a existência de zonas de apoio para armazenamento e manutenção.

A flexibilidade e a cooperação entre produtores e operadores asseguram benefícios equilibrados e duradouros.

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