
SISTEMAS AGRIVOLTAICOS
Introdução aos tipos de sistemas agrivoltaicos, às suas configurações e aos principais componentes.
Ferramenta #01

#01 Que tipo de sistema agrivoltaico utilizar?
O tipo de sistema agrivoltaico a utilizar depende das características da exploração agrícola, do tipo de cultura e dos objetivos do produtor.
Em pomares ou vinhas, por exemplo, é comum recorrer a estruturas elevadas, que permitem a passagem de tratores e a realização das operações de manutenção, garantindo simultaneamente uma boa exposição solar dos painéis fotovoltaicos.
Já em culturas de menor porte, como hortícolas ou forragens, podem ser utilizados sistemas fixos mais baixos ou estruturas móveis, capazes de ajustar a inclinação dos painéis ao longo do dia ou das estações do ano.
Em zonas com elevada radiação solar, pode ainda optar-se por sistemas com maior espaçamento entre fileiras de painéis, reduzindo o sombreamento excessivo sobre as culturas.
Assim, a escolha do sistema agrivoltaico deve equilibrar a produção agrícola e a produção energética, assegurando a viabilidade económica, técnica e funcional da exploração.
#02 Que tipos de sistemas agrivoltaicos estão disponíveis?
Existem vários tipos de sistemas agrivoltaicos. No âmbito do AGROVOLTEP, a classificação é feita de acordo com o tipo de agricultura, distinguindo-se duas grandes categorias:
em campos abertos ou em sistemas fechados.
Atividades em campo aberto
As atividades em campo aberto visam promover um uso sustentável e multifuncional do solo, conciliando a produção agropecuária com a produção de energia fotovoltaica. Estas práticas contribuem para o aproveitamento eficiente dos terrenos, o aumento da biodiversidade e a dinamização socioeconómica do local onde se inserem.

Pastoreio de gado
Integração de vacas, ovelhas, porcos ou cabras em terrenos com centrais fotovoltaicas.

Apicultura
Instalação de colmeias e produção de mel, promovendo a biodiversidade.

Avicultura
Criação de galinhas, perus ou outras aves em liberdade em áreas agrivoltaicas.

Cultivos
Cultivos Permanentes,
Rotativos ou Forrageiros.
Atividades em campo fechado
As atividades em campo fechado permitem otimizar a produção agrícola em ambientes protegidos, conciliando o controlo do microclima com a produção de energia fotovoltaica.
A integração de módulos fotovoltaicos na cobertura, nas paredes ou em sistemas móveis de sombreamento contribui para uma utilização eficiente do espaço, o aumento da eficiência energética e a redução do impacto ambiental das explorações agrícolas.

Estufas
Integração de módulos fotovoltaicos em estufas para produção de energia e controlo da radiação solar.
#03 Que estrutura do Sistema Fotovoltaico utilizar?
Atividades em campo aberto
Nos sistemas agrivoltaicos de campo aberto, a disposição dos módulos fotovoltaicos pode assumir diferentes tipologias estruturais, de acordo com as necessidades da produção agrícola:
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Estruturas aéreas: Os módulos são instalados sobre suportes elevados, criando uma cobertura parcial que permite a circulação de máquinas e animais por baixo. Essa configuração facilita o pastoreio e o cultivo de espécies forrageiras ou hortícolas que necessitam de sombreamento parcial. Além disso, proporciona proteção contra intempéries (como granizo ou insolação excessiva) e permite a gestão eficiente do espaço agrícola.
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Estruturas com maior espaçamento entre fileiras: Nesta configuração, os módulos são dispostos com intervalos ampliados em relação aos sistemas fotovoltaicos convencionais, permitindo maior incidência de luz solar direta no solo e facilitando as operações agrícolas, como o uso de tratores e implementos. Essa solução é comum em áreas de cultivo rotativo ou pastagens, onde é essencial preservar o crescimento uniforme da vegetação.
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Cercas fotovoltaicas e infraestruturas complementares: Em aplicações agrícolas abertas, é frequente a instalação de cercas elétricas ou sombreadas com painéis fotovoltaicos, servindo simultaneamente para delimitar áreas de criação animal, proteger cultivos ou gerar energia para sistemas locais (bombas de água, iluminação ou cercas eletrificadas). Tais estruturas otimizam o uso do espaço e reforçam a autonomia energética da exploração.
Atividades em campo fechado
Nos sistemas agrícolas fechados, o conceito agrivoltaico está associado à integração de módulos fotovoltaicos em estruturas de estufa, onde a cobertura solar desempenha uma dupla função: gerar energia elétrica e regular o microclima interno.
Outras aplicações em infraestruturas agrícolas
Para além das estruturas produtivas, os sistemas agrivoltaicos podem ser aplicados em zonas de sombra com fins de conforto térmico e bem-estar animal, nomeadamente em:
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currais;
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áreas de descanso;
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pontos de abastecimento de água.
#04 Qual a configuração dos módulos fotovoltaicos?
A configuração dos módulos fotovoltaicos refere-se à forma como os painéis solares são dispostos e orientados em relação à trajetória do sol.
Esta escolha influencia diretamente:
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o rendimento energético;
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o grau de sombreamento do solo;
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a compatibilidade com as atividades agrícola
A escolha da configuração depende do tipo de sistema (aberto, aéreo, intermédio, vertical ou em estufa), dos objetivos produtivos, das condições climáticas e das exigências estruturais da instalação.
Sistemas Intermédios e Aéreos
Nos sistemas fotovoltaicos intermédios e aéreos, os módulos podem ser fixos ou montados em estruturas com seguimento solar de eixo único.
Nos sistemas aéreos, é também possível adotar estruturas com seguimento de dois eixos (dual-axis tracking), que ajustam simultaneamente a orientação e a inclinação dos módulos.
Sistemas em Estufa e Outras Estruturas Fixas
As estufas fotovoltaicas, por se tratarem de ambientes fechados e estruturas estáticas, utilizam exclusivamente módulos fixos, integrados na cobertura ou nas paredes laterais.
Nestes casos, podem ser utilizados módulos semitransparentes ou difusores, permitindo a passagem parcial da luz necessária à fotossíntese e ao crescimento equilibrado das plantas.
A escolha da orientação e da inclinação é feita de modo a equilibrar a produção de energia com as necessidades luminosas das culturas internas.
O mesmo princípio aplica-se às configurações verticais e a outras infraestruturas de apoio fixas, como cercas solares, abrigos, coberturas agrícolas ou zonas de sombra para animais.
Nestes sistemas, a fixação é permanente, garantindo estabilidade estrutural, baixa manutenção e durabilidade em condições ambientais diversas.
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